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Ana Mendonça Morais
– Marketing & Communication Strategist –

Vale ou não a pena?

Podemos assumir que já toda a gente ouviu falar do Clubhouse, certo?

Esta app, que é essencialmente uma rede social emergente, baseia-se em salas de conversas sobre os mais variados temas. Teve um crescimento exponencial durante vários meses e, agora, parece que está a chegar a o declínio. Ou está apenas a abrandar estrategicamente?

Qualquer que seja a resposta, o Clubhouse pode ser uma boa oportunidade de crescimento para negócios. Para tal, só precisa de perceber exatamente o que é, como funciona e quais as ameaças e vantagens da app. Então sim, saberá como pode potenciar o crescimento do seu próprio negócio.

Ana Mendonça Morais
– Marketing & Communication Strategist –

Vale ou não a pena?

Podemos assumir que já toda a gente ouviu falar do Clubhouse, certo?

Esta app, que é essencialmente uma rede social emergente, baseia-se em salas de conversas sobre os mais variados temas. Teve um crescimento exponencial durante vários meses e, agora, parece que está a chegar a o declínio. Ou está apenas a abrandar estrategicamente?

Qualquer que seja a resposta, o Clubhouse pode ser uma boa oportunidade de crescimento para negócios. Para tal, só precisa de perceber exatamente o que é, como funciona e quais as ameaças e vantagens da app. Então sim, saberá como pode potenciar o crescimento do seu próprio negócio.

O que é o Clubhouse

O Clubhouse é uma app que usa exclusivamente áudio como forma de comunicação.

Não há mensagens, não há vídeos, nada – apenas voz. Cada utilizador tem um perfil e a descrição deste perfil é o único sítio onde existe comunicação por texto. Para além dos títulos das próprias salas, claro.

Essencialmente, o conceito do Clubhouse é a criação de salas de chat virtuais. Mas, reforço, a única forma de comunicar é através de áudio. Podemos imaginar que é uma mistura entre um fórum e um podcast (outra tendência de que já falámos aqui).

Como funciona o Clubhouse

O funcionamento da app em si é bastante simples. Um dos passos da própria inscrição é identificar interesses entre em várias áreas, como marketing, fotografia, design, viagens, parentalidade, desporto, saúde, religião, psicologia, cidades, línguas… enfim, existem dezenas de interesses para seleccionar. Depois, e com base nisso, a própria app sugere salas para acompanharmos e pessoas para seguirmos.

Qualquer pessoa pode criar uma sala, que pode ser aberta ou fechada, e pode ou não ter dias e horas fixos. E os utilizadores podem apenas entrar nas salas e ouvir as conversas, ou até mesmo pedir para participar e partilhar a sua opinião, posição ou visão de negócio.

O mais interessante da app é que existem milhões de pessoas a utilizá-la e podemos estar em constante contacto (mesmo que indirecto) com pessoas às quais, de outra forma, nunca chegaríamos. Aliás, um dos impulsionadores da app nos seus primórdios foi Elon Musk, o fundador da Tesla e Neuralink. Quem é que não gostaria de ouvir o Elon Musk numa conversa informal sobre tecnologia, por exemplo? Portanto, no Clubhouse não há classes nem elitismo. Ou há?

A exclusividade atraente

Embora os criadores do Clubhouse refiram que estão a trabalhar para tornar a app acessível a toda a gente, a verdade é que existem limitações. Após 1 ano da sua criação, durante o qual só esteve disponível em iOS, finalmente abriu portas para os utilizadores de android. Esta versão foi lançada apenas para os EUA, embora utilizadores de outros países possam fazer o pré-registo e serem notificados aquando do lançamento.

No entanto, a inscrição continua a ser restrita a quem tem convite de um contacto no Clubhouse. Se isto não demonstra exclusividade e um certo elitismo, não sei o que demonstrará.

Acho que todos somos atraídos pelo que é raro ou difícil de alcançar. Afinal, a relva do vizinho é sempre mais verde que a minha. E se colocarmos o Elon Musk à distância de uma app gratuita, mas tornarmos o acesso a essa mesma app não tão fácil assim… o desejo aumenta. O que significa que, à mínima oportunidade, vamos todos aproveitar aquele convite para nos juntarmos ao clube popular mais exclusivo da internet.

O crescimento absurdo

A app Clubhouse foi fundada em Abril de 2020 por dois empreendedores americanos, Paul Davison e Rohan Seth.

Ainda em 2020 foi avaliada em 100 milhões de dólares. Já em 2021 teve uma avaliação um pouco mais simpática graças a uma grande ronda de financiamento. No final de janeiro de 2021, o Clubhouse foi avaliado em 1 bilião de dólares! Tornou-se assim num unicórnio.
E só para que não restem dúvidas: um unicórnio é uma startup avaliada em mais de 1 bilião de dólares (preço de mercado).

Em termos de utilizadores, em Maio de 2020 o Clubhouse tinha cerca de 1500 utilizadores. No final de Fevereiro de 2021, o CEO Paul Davison desvendou um novo número: 10 milhões de utilizadores.

Portanto, o Clubhouse é uma app com 1 ano que já atingiu um valor de mercado gigante e uma base de utilizadores equivalente à população de Portugal.

O declínio vertiginoso do Clubhouse

Segundo o Business Insider, em Fevereiro de 2021 houve cerca de 9,6 milhões de downloads da app Clubhouse.
Em Março esse número baixou para 2,7 milhões. Em Abril não chegou a 1 milhão. Isto representa uma queda de 66% nos downloads mensais da app. Depois de um crescimento fulminante, parece que a queda chegou. Terá Ícaro voado demasiado perto do sol e as asas começam a derreter?

Analogias à parte, claro que dois meses não chegam para prever o futuro. Aliás, nada prevê, apenas podemos assumir. Mas dizer com toda a certeza que o Clubhouse está em queda vertiginosa pode ser falacioso. Está com uma quebra significativa, sem dúvida – mas nada garante que não possa reerguer-se.

Se o Clubhouse eliminar a necessidade de convite para subscrição, pode ver um novo crescimento significativo de downloads e de utilizadores activos. Por outro lado, pode perder algum do misticismo que o torna aliciante e, passando um novo pico de downloads por curiosidade, pode sentir uma nova quebra.

Clubhouse como ferramenta de negócio: vale ou não a pena?

Vou já dizer a palavra mágica: depende. Sim, vira o disco e toca o mesmo, eu sei. É que nada no Marketing Digital é uma verdade absoluta. É tudo uma questão de teste, experiência e adaptação. O que funciona para uns negócios pode não funcionar para outros. Por exemplo, o Clubhouse pode ser uma ferramenta incrível para quem trabalha na área de personal branding e uma perda de tempo para quem tem uma mercearia de bairro. É sempre necessário avaliar caso a caso e medir os pros e os contras.

Mas vamos lá à análise prática e sucinta das vantagens e desvantagens do Clubhouse enquanto ferramenta de negócio!

Vantagens

  • É uma app em desenvolvimento e, embora tenha 1 ano, ainda está numa fase relativamente inicial. Pode ser bom para posicionar o negócio como um dos primeiros a estar presente na app.
  • Estimula a partilha e participação. Para uma marca com muito para partilhar, quer seja num contexto social ou mesmo de negócio, pode ser uma óptima ferramenta.
  • Pode ser uma boa oportunidade de posicionamento e crescimento profissional, especialmente para quem trabalha em áreas onde o conhecimento pessoal têm destaque. Por exemplo, para um consultor de marketing digital, pode ser óptimo participar em salas sobre o tema para se firmar como profissional da área.
  • As palavras-chave são conhecimento, interactividade e networking. Se estas fazem parte do seu modelo de negócio, talvez o Clubhouse também tenha de fazer.

Desvantagens

  • Só está disponível para um certo número de utilizadores, por só ser possível entrar através de convite.
  • Pode ser difícil encontrar as salas certas ou ser ainda mais complicado participar nas conversas.
  • Se a ideia é criar uma sala própria, ter adesão e participantes pode ser um desafio no início.
  • Como a app funciona apenas por voz “em directo”, é preciso garantir que a mensagem certa é passada da melhor maneira possível.
  • Exige tempo e disponibilidade para criar uma boa estratégia de posicionamento e tempo passado na app.
  • Só é possível criar contas pessoais e não empresariais. Implica que exista uma pessoa a falar pela marca, e não a marca em si a comunicar.

A minha experiência com o Clubhouse

Pela minha experiência pessoal com a app, e dependendo das áreas de interesse e consequentes salas sugeridas, é frequente ouvir a mesma conversa de sempre. Há muitas pessoas a dizer frequentemente o quão espectacular é o que fazem sem realmente dizerem nada de interessante – especialmente na área do marketing.

Também é demasiado fácil simplesmente perder tempo na app. No meu caso, achei os primeiros dias fenomenais e os seguintes simplesmente aborrecidos e desnecessários. cheguei ao ponto de entrar várias vezes na app ao longo de várias horas e percebi que a mesma sala estava a ter a mesma conversa há 4 horas. O que estava a ser dito na primeira hora foi o mesmo que foi dito na segunda, na terceira e na quarta.

Claro que tudo isto é uma questão de filtro e de encontrar a sala certa à hora certa. Mas isso implica esforço, dedicação e disponibilidade. Por isso, se as vantagens parecerem superiores às desvantagens para o seu modelo de negócio, força. Não há nada como experimentar.

No meu caso, o entusiasmo com o Clubhouse foi como o declínio do número de downloads de Fevereiro para Março e Abril. Até que parei de utilizar porque percebi que, afinal, não valia assim tanto a pena. No fundo, o tempo que teria de investir no Clubhouse para utilizá-lo enquanto potencial ferramenta de crescimento, poderia ser investido em algo muito mais relevante para mim.

Mas, para si, pode ser um diamante bruto.

Encare a app como uma hipótese e não uma obrigação. Veja se se enquadra no seu modelo de negócio e teste aos poucos. Com tempo, pode ser que encaixe bem na sua rotina. Ou que seja uma app para apagar daqui a umas semanas.