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Inês Tito
– Copywriter –

Comunicar é um ato tão natural quanto respirar. É algo essencial à nossa sobrevivência, que nos permite relacionar com os outros e perceber o nosso papel no mundo.

Na sua essência, comunicamos com o mesmo propósito há milénios. Contudo, comunicamos de forma muito diferente dos nossos antepassados. Atualmente, a tecnologia é crucial. E à medida que a sociedade avança, algumas ferramentas vão caindo em desuso. Enquanto isso, surgem outras melhores e mais eficazes. 

As redes sociais são algumas dessas ferramentas. A oferta disponível é vasta e estende-se a todas as faixas etárias. E o mais interessante é que não existem sinais de abrandamento.

Inês Tito
– Copywriter –

Comunicar é um ato tão natural quanto respirar. É algo essencial à nossa sobrevivência, que nos permite relacionar com os outros e perceber o nosso papel no mundo.

Na sua essência, comunicamos com o mesmo propósito há milénios. Contudo, comunicamos de forma muito diferente dos nossos antepassados. Atualmente, a tecnologia é crucial. E à medida que a sociedade avança, algumas ferramentas vão caindo em desuso. Enquanto isso, surgem outras melhores e mais eficazes. 

As redes sociais são algumas dessas ferramentas. A oferta disponível é vasta e estende-se a todas as faixas etárias. E o mais interessante é que não existem sinais de abrandamento.

O que motiva a sociedade a utilizar as redes sociais? E perante um mundo em constante mudança, o que podemos esperar?

Fonte: Freepik

Estagnação do Instagram

O Instagram, fundado em 2010, surgiu como plataforma de partilha de fotografia e vídeo, criados a partir de dispositivos móveis. Este conceito, e a possibilidade de os utilizadores comentarem as publicações, levou à rápida ascensão da plataforma. 

No entanto, manter o Instagram gratuito para os utilizadores acarreta custos. Por isso, a plataforma recorre a anúncios patrocinados e rondas de financiamento. Contudo, foi a aquisição pelo Facebook (atualmente Meta), em 2012, que trouxe mais fundos e alterações à plataforma.

Atualmente, o Instagram, a par do Facebook ou WhatsApp, está entre as redes sociais que registam mais utilizadores mensais. No entanto, o número de novos utilizadores, bem como as suas interações na plataforma, estão em declínio. Se o Instagram é tão popular, por que perde seguidores?

Preocupação com privacidade

O escândalo da Cambridge Analytica agitou os alicerces do Facebook e gerou ondas de choque visíveis ainda hoje. 

À data, milhões de seguidores iniciaram o movimento #DeleteFacebook e abandonaram esta rede social. Enquanto isso, a empresa alterou a política de privacidade, num esforço para recuperar a confiança dos utilizadores.

Contudo, algo semelhante voltou a repetir-se em 2019. A Hyp3r, uma empresa de marketing da confiança do Facebook, acedia ilegalmente à localização e fotos dos utilizadores do Instagram para recolher informação pessoal. 

O Facebook agiu rapidamente e eliminou todas as parcerias com a Hyp3r para garantir a proteção de dados dos utilizadores. Atualmente, ainda existem milhões de utilizadores fidelizados ao Instagram. Todavia, muitos abandonaram esta plataforma com o intuito de proteger a sua informação pessoal.

Excesso de anúncios

O feed do Instagram apresenta os posts de familiares, amigos ou celebridades favoritas, em conjunto com anúncios pagos e páginas sugeridas. 

Para cerca de 74% dos utilizadores, esta prática impede a visualização das páginas que realmente interessam. Para os criadores de conteúdos, torna-se mais difícil criar publicações tão cativantes quanto os anúncios apresentados.

Como resultado, os utilizadores interagem menos com as páginas e publicações que seguem. 

Este fenómeno demonstra os efeitos de uma experiência de utilizador empobrecida. Os utilizadores consideram a apresentação constante de anúncios como uma forma de “impingir-lhes” produtos e serviços pouco relevantes, apenas para financiar a plataforma.

O algoritmo

O algoritmo visa estabelecer as regras de apresentação de conteúdos aos utilizadores, decidindo o que mostrar e em que ordem. 

Além disso, analisa os conteúdos e as interações dos utilizadores com as publicações. Desta forma, o algoritmo mostra os conteúdos mais relevantes segundo as preferências dos utilizadores.

No entanto, as alterações introduzidas ao algoritmo em 2022, deixou descontentes os utilizadores mais antigos, habituados a conteúdos estáticos. Atualmente, o Instagram privilegia vídeos curtos, em vez de fotografias, para enfrentar a crescente popularidade do TikTok.

Se, por um lado os utilizadores sentem dificuldade em encontrar as fotografias publicadas por amigos e familiares, por outro, os criadores de conteúdos são compelidos a desenvolver vídeos para cumprir os requisitos do algoritmo. Para alguns destes profissionais, isso exige investimento na aquisição de novos conhecimentos, competências e equipamentos.

Instagram ou imitação?

As alterações aplicadas ao Instagram procuram captar e manter novos utilizadores. Para isso, é necessário acompanhar as preferências do público.

Estudos recentes mostram que a capacidade de atenção, em qualquer faixa etária, tem diminuído ao longo dos anos. Entre vários motivos, os investigadores identificaram a tecnologia e o ritmo acelerado da sociedade moderna como sendo os mais decisivos.

Para as redes sociais, esta informação é vital. Por isso, o Instagram introduziu vídeos de curta duração, apresentados em catadupa, para que o utilizador se mantenha ligado à plataforma o máximo de tempo possível.

No entanto, para os utilizadores, o Instagram está apenas a tentar igualar algo que outras redes sociais já fazem há mais tempo. Para eles, falta-lhe autenticidade.

Fonte: Unsplash

Crescimento de outras redes sociais

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”, diria Darwin, referindo-se às espécies que estudou há mais de 200 anos. Além de se manter atual, este conceito também pode ser aplicado à sociedade moderna.

Durante a evolução da internet, várias redes sociais dominaram o mercado, desaparecendo sem deixar rasto. Imediatamente, esse vazio foi ocupado por uma nova rede social melhor adaptada ao comportamento da sociedade.

Assim, o que está a acontecer nas redes sociais dos dias de hoje?

A ascensão do TikTok

O TikTok é uma rede social que tem vindo a ganhar terreno. Na verdade, foi a aplicação mais popular de 2021, ultrapassando o Instagram em mais de 100 milhões de downloads. 

Originalmente, os conteúdos do TikTok eram vídeos curtos onde os utilizadores recriavam os vídeos de música e dança dos seus artistas favoritos. Atualmente, a plataforma cresceu e passou a integrar vídeos educativos, de entretenimento e diretos. 

A tecnologia por de trás do crescimento

O sucesso do TikTok está cimentado no sistema de inteligência artificial do algoritmo. O seu objetivo é avaliar a qualidade de cada vídeo. 

Em suma, o algoritmo calcula o rácio de interações dos utilizadores com esse vídeo e, se corresponder às expectativas, será apresentado a grupos maiores. Posteriormente, o algoritmo organiza e apresenta os vídeos em cadeia, segundo as preferências dos utilizadores.

Fonte: Freepik

Outra característica popular do TikTok é o modo de ecrã inteiro, que incentiva os utilizadores a interagirem com os vídeos que lhes são apresentados ou a mudar de vídeo rapidamente, sem sair da aplicação.

Quem são os utilizadores?

O conceito de consumo rápido de conteúdos foi rapidamente adotado por jovens nascidos entre 1997 e 2012, a conhecida Geração Z

Segundo um estudo de 2018, esta geração é caracterizada pela necessidade de expressão individual. Isto significa que rejeitam estereótipos, são abertos à mudança e estão mais disponíveis para associar-se a causas comuns. 

Assim, a popularidade do TikTok deve-se ao cumprimento do desejo de expressão e de personalização. Aqui, todos têm a oportunidade de se fazer ouvir.

Além disso, os vídeos curtos são mais fáceis de absorver, conduzindo os utilizadores à ação. Segundo um estudo desenvolvido pelo próprio TikTok, 92% dos utilizadores afirmam partilhar, comentar ou seguir um vídeo após a sua visualização. 

Para uma geração que nasceu e cresceu no meio digital e, que está agora a atingir a maturidade, o TikTok surge como a principal alternativa ao Instagram. Para eles, o TikTok é a oportunidade para vocalizar a sua posição sobre questões sociais ou políticas, ou simplesmente, para se divertir.

O (re)nascimento do Snapchat

Em 2011, o Snapchat revolucionou o mundo das redes sociais. 

As “Stories”, conteúdo disponível apenas por 24 horas, contrastava com o carácter permanente de outras publicações. Este conceito criava nos utilizadores um sentido de urgência, identificado como “Fear of Missing Out”, ou o medo de perder algum acontecimento.

Após uma fase de crescimento exponencial, em 2018, o Snapchat entrou no seu annus horribilis

Fonte: Freepik

A versão Android da aplicação não funcionava corretamente, um novo interface da aplicação não agradou aos utilizadores e vários executivos de topo deixaram a empresa. Para piorar a situação, o Facebook, o seu principal concorrente, recriou e implementou em todas as suas plataformas a funcionalidade das “Stories”. Em pouco tempo, o Snapchat perdeu mais de 3 milhões de utilizadores ativos.

No entanto, quando todos pensavam que o Snapchat tinha desaparecido, a plataforma emergiu das cinzas.

A nova era do Snapchat

À boleia da geração Z, o Snapchat transformou-se em algo mais do que uma plataforma de mensagens instantâneas. Esta rede social reinventou-se. Hoje em dia, apresenta ao público mais jovem exatamente aquilo que procura: uma forma inclusiva de expressão, com foco na realidade aumentada.

Assim, os utilizadores podem expressar-se através de bitmojis inclusivos, que incluem cadeiras de rodas ou aparelhos auditivos. Além disso, têm a oportunidade de comprar produtos através da experiência de realidade aumentada, partilhar “Stories” com amigos ou enviar hiperligações do Youtube.

Estas características, aliadas a um design apelativo, levam um número crescente de utilizadores a testar o Snapchat. Aqui, podem aceder a um conjunto de serviços que não estão disponíveis no Instagram.

Vero: será o “novo” Instagram?

A Vero é uma rede social lançada em 2015, que passou despercebida durante alguns anos. 

Esta rede social registou o seu maior crescimento em 2018, após a fuga de dados pessoais no Facebook e Instagram. À data, os utilizadores procuravam alternativas que lhes dessem maior controlo sobre os seus próprios dados.

No entanto, o volume de novos utilizadores fez com que a Vero tivesse dificuldade em resolver falhas técnicas. E por isso, o número de novos registos estagnou. Ainda assim, nos últimos tempos, a Vero tornou-se viral.

O utilizador assume o controlo

A palavra “Vero”, que se traduz para “verdade” em latim, fundamentou o conceito da plataforma. O seu objetivo é servir como uma ferramenta de comunicação que aproxime as pessoas em vez de as afastar. Aqui, não existem algoritmos e, por isso, quem controla e mantém o feed em ordem cronológica é o utilizador.

Fonte: Unsplash

A inexistência de anúncios é outra característica muito valorizada. Na Vero, o feed é exclusivamente composto por publicações de outros utilizadores.

Além disso, o utilizador tem um maior controlo sobre a sua privacidade. Na Vero, é possível categorizar os utilizadores em amigos próximos, amigos, conhecidos ou seguidores e apresentar-lhe conteúdos específicos. 

Apesar de seguir um modelo de subscrição, a Vero permite o registo gratuito de novos utilizadores. Contudo, não descarta a hipótese de, no futuro, criar um plano de subscrição.

Quem procura a Vero?

Segundo dados da própria plataforma, metade dos utilizadores da Vero são Millennials, a geração nascida entre 1980 e 1995. 

A preocupação com a privacidade, o desejo de assumir maior controlo sobre as suas publicações e o desagrado perante as alterações no algoritmo do Instagram, conduziu este público até à Vero. Assim, em 2022, a Vero surge como um porto seguro para criadores de conteúdos estáticos, como é o caso de fotógrafos, pintores ou escritores.

O que esperar das redes sociais?

As redes sociais espelham o comportamento da sociedade moderna. Se as gerações mais jovens preferem formatos dinâmicos, as gerações mais velhas favorecem os conteúdos estáticos. Isto não significa que um formato é melhor que o outro. Em boa verdade, são apenas meios para alcançar um fim. 

Para os utilizadores, escolher a rede social com que mais se identificam é um meio de afirmação e empoderamento. Naquele espaço só seu, podem expressar-se livremente. Por outro lado, para as empresas, esta é a oportunidade de encontrar o público-alvo onde ele está mais confortável, favorecendo associações positivas às marcas.

Nos próximos anos, é natural que surjam novas redes sociais ou alterações às já existentes. Afinal, o mundo vive em constante mudança. No entanto, algo se mantém inalterado: o desejo de se comunicar e de se relacionar com o outro.