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Marta Miranda
– Branded Content Specialist & Producer –

Se ainda não segue nenhum influenciador virtual, temos a certeza que vai ter vontade de o fazer a partir de hoje. Antes de mais, frisar, que não estamos a falar do conhecido termo “influenciador digital” – aquele indivíduo que tem a vocação para gerar engagement com uma comunidade fiel e que consegue influenciar uma decisão de compra junto dos seus seguidores. Estamos a falar, efetivamente, de uma criação digital fictícia! 

Para alguns já não será novidade, até porque em algum momento já tivemos uma experiência de Serviço ao Cliente com um Assistente virtual em algum site. Imaginar-nos a caminhar por entre robots na rua ainda é uma realidade longínqua, mas de fato a interação H2R – “Human to Robot” – está a evoluir a passos rápidos na realidade das redes sociais. 

Não obstante, falar de influenciadores virtuais ainda é novidade, principalmente porque no mercado português a tendência não está explorada. Mas há que ficar atento, porque ao nível internacional, estas novas personalidades online têm sido uma inovação e aposta reconhecida na área do Marketing de Conteúdo já desde 2018.

Marta Miranda
– Branded Content Specialist & Producer –

Se ainda não segue nenhum influenciador virtual, temos a certeza que vai ter vontade de o fazer a partir de hoje. Antes de mais, frisar, que não estamos a falar do conhecido termo “influenciador digital” – aquele indivíduo que tem a vocação para gerar engagement com uma comunidade fiel e que consegue influenciar uma decisão de compra junto dos seus seguidores. Estamos a falar, efetivamente, de uma criação digital fictícia! 

Para alguns já não será novidade, até porque em algum momento já tivemos uma experiência de Serviço ao Cliente com um Assistente virtual em algum site. Imaginar-nos a caminhar por entre robots na rua ainda é uma realidade longínqua, mas de fato a interação H2R – “Human to Robot” – está a evoluir a passos rápidos na realidade das redes sociais. 

Não obstante, falar de influenciadores virtuais ainda é novidade, principalmente porque no mercado português a tendência não está explorada. Mas há que ficar atento, porque ao nível internacional, estas novas personalidades online têm sido uma inovação e aposta reconhecida na área do Marketing de Conteúdo já desde 2018.

Quem são, afinal, estes virtual humans?

Um influenciador virtual é, então, uma personalidade fictícia com uma visão do mundo na primeira pessoa. Por trás de cada criação, estão indivíduos “anónimos”, que atuam a título pessoal ou como representantes de marcas. A criação digital produzida através de tecnologia tem normalmente recurso a softwares tais como Photoshop, Illustrator, Lightroom, Blender, Cinema 4D, Maya, Unreal Engine, ZBrush, Modo, 3ds Max, Daz Studio, entre outros. 

Os influenciadores virtuais que se têm destacado internacionalmente nas redes sociais (Instagram e Tik Tok) apresentam, na sua maioria, características físicas e uma personalidade na primeira pessoa idêntica à dos seres humanos, com narrativas reais e próximas às que vivemos, o que lhes confere credibilidade e interesse para envolver uma comunidade. 

O tema é, por isso, top of mind no Marketing de Influência e já muitas marcas de reconhecimento mundial estrearam uma posição nesta nova realidade de influenciar os comportamentos e, em última análise, o consumo.

Abaixo listamos alguns dos Influenciadores “Top 5” para começar a seguir:

  • Lil Miquela (3 Milhões de seguidores) – foi uma das primeiras influenciadoras virtuais a ser criada no mundo. É uma criação de uma startup de Los Angeles especializada em inteligência artificial. A influenciadora partilha looks de moda, com parcerias com marcas de luxo, e lança músicas que estão disponíveis no Spotify.
  •  Shudu (232k seguidores) – com uma imagem extremamente realista, a influenciadora virtual é uma criação do fotógrafo Cameron James Wilson. Tem um contrato de modelo com uma agência digital de modelos e é representante da marca de moda de luxo Balmain.
  • Bermuda (271k seguidores) tem uma imagem mais controversa (foi uma ex-apoiante do Trump, apesar de ter mudado as suas visões políticas) e ganhou seguidores pela relação, e posterior separação, com outro influenciador virtual (Blawko). É uma influenciadora representada por reconhecida uma Agência de PR e crê-se que os seus fundadores sejam a empresa Cain Intelligence.
  • Blawko (143k seguidores) – este influenciador virtual foi criado pela mesma startup que lançou a influenciadora virtual Lil Miquela. Tem uma imagem jovem misteriosa, pois anda sempre com a cara meia tapada e com um estilo assumido de streetwear. Ficou conhecido pelo namoro com a influenciadora virtual Bermuda e atualmente já tem um canal de Youtube.
  • Imma (380k seguidores) esta influenciadora virtual é considerada um ícone de estilo e foi criada pela empresa Modeling Cafe,  especializada em computação gráfica, com sede em Tóquio.
Fonte: Instagram – Preview Instagram Lil Miquela
Fonte: Instagram – Preview Instagram Shudu
Fonte: Instagram – Preview Instagram Bermuda
Fonte: Instagram – Preview Instagram Blawko

Descubra aqui uma extensa lista dos influenciadores virtuais que pode seguir nas redes sociais!

O que está a mudar no Marketing de Influência?

Parecem existir dois posicionamentos por parte das marcas para se associarem à realidade virtual: ora criam os próprios embaixadores virtuais, que dão a cara pelas marcas, ora estabelecem parcerias com influenciadores virtuais, exatamente da mesma forma que o fazem com influenciadores humanos. 

De facto, criar um influenciador virtual para representar uma marca é dar-lhe um “rosto” permanente e fiel (sem depender de embaixadores/figuras públicas que mudam sazonalmente com campanhas publicitárias) e torná-la mais próxima, e até mais humana, com a sua comunidade. 

Criam-se mais facilmente experiências de media imersivas, que impactam também gerações de consumidores mais jovens. A Geração Z – os adolescentes de hoje – são quem respeita e admira mais as personalidades virtuais, já que “nasceram” na internet, onde socializam desde sempre. 

Uma marca ao ser representada por uma personagem virtual demonstra uma visão e uma imagem inovadoras, estando no topo das tendências, vocacionada para a cultura e tecnologia do futuro. 

Por outro lado, numa parceria com um influenciador virtual, uma marca pode vir a encontrar algumas vantagens, em comparação às parcerias publicitárias com influenciadores humanos ou figuras públicas. 

Enquanto que os influenciadores humanos podem cometer erros e estar sujeitos a polémicas que põem em causa a imagem de uma marca à qual estão associados, já a presença e a narrativa dos influenciadores virtuais são normalmente elaboradas e refletidas com cuidado, pelo que há menos margem para escândalos que ponham em causa a imagem de uma marca. É caso para dizer que os erros de um influenciador virtual poderiam ser apagados e corrigidos em poucos minutos. 

Escolher influenciadores virtuais parece ter mais hipóteses de envolver uma comunidade e abre espaço para criar um novo mercado, em detrimento da competição e da escolha por figuras públicas e influenciadores humanos com imagens eventualmente saturadas. 

As marcas e os seus representantes virtuais

Uma marca que decida criar o seu próprio influenciador virtual está a ganhar um “IP” vitalício que pode chegar a muitas gerações, criar familiaridade com uma marca, sem ter muito risco.

O exemplo mais conhecido atualmente é a Lu, a embaixadora virtual da loja brasileira Magazine Luiza, que já conta com mais de 55 milhões de seguidores, com presença em várias redes sociais. Para além de ser embaixadora e assistente virtual da loja, a personalidade assumiu também a posição de influenciadora, representando outras marcas, assim como já foi capa da Revista Vogue Brasil.

Fonte: CNN Brasil, IG Magazine Luiza – Lu, a influenciadora e embaixadora virtual da Loja Magazine Luiza (Brasil)

No mercado da moda de luxo, a marca Prada anunciou também o seu primeiro modelo humano virtual, a Candy, no âmbito da campanha “Rethink Reality”, para comunicar o seu novo perfume. A estratégia de Marketing substitui precisamente a habitual escolha de celebridades para este tipo de campanhas, ambicionando atingir essencialmente o target da Geração Z com a construção de novas narrativas no digital.

Fonte: Youtube – Campanha “Rethink Reality” para lançamento perfume Candy da Prada

 

As parcerias com influenciadores virtuais populares

Segundo uma pesquisa da Hyper Auditor e da Virtual Humans, o engagement dos influenciadores virtuais já era superior em 2019 face ao dos influenciadores humanos. É natural, então, que algumas das reconhecidas marcas já estabeleçam parcerias com alguns dos mais populares influenciadores virtuais. 

Ao fim ao cabo, os influenciadores virtuais, apesar de viverem num espaço virtual, conseguem promover as mesmas marcas do que os influenciadores humanos: apresentam o mesmo lifestyle, têm os mesmos gostos e vestem as mesmas roupas. Há espaço para surgirem oportunidades de parcerias mais criativas. 

A título de curiosidade, tal como os influenciadores humanos passaram a ter que ser transparentes em relação às parcerias com as marcas identificando os posts nas redes sociais com o hashtag #ad, também os influenciadores virtuais caminharão para essa boa prática. A Índia é oficialmente o primeiro país a implementar padrões regulatórios para a publicidade dos influenciadores virtuais nas plataformas digitais. 

Fonte: HypeAuditor – Influenciadores humanos vs virtuais

Muitos dos influenciadores virtuais também são já agenciados por Agências de Modelos e de Influenciadores. 

Vejamos exemplos concretos de Campanhas de Marketing com influenciadores virtuais populares: a marca Calvin Klein lançou recentemente uma parceria com algumas das influenciadores virtuais mais populares, tais como a Lil Miquela (3M) e mais recentemente a Katii (63.7k):

Fonte: Youtube Calvin Klein – Campanha Calvin Klein “Speak my Truth in #mycalvins” com a influenciadora virtual Lil Miquela ao lado da reconhecida modelo Bella Hadid

 

Fonte: Virtual Humans – Campanha Calvin Klein com a influenciadora virtual Katii

Em 2018, já a marca Prada tinha escolhido a influenciadora virtual Lil Miquela para uma campanha, assim como estabelece parcerias com a Noonoouri, por exemplo, para ir vestindo looks Prada nos seus posts. 

Também em 2018 a marca de moda de luxo Dior tinha convidado a mesma influenciadora para fazer o takeover do instagram da marca aquando de um desfile.

Fonte: Pinterest – Influenciadora virtual Lil Miquela numa Campanha Prada F/W2018

Fonte: Pinterest – Influenciadora virtual Noonoouri em parceria com as marcas Prada e Dior

 

Também a Organização Mundial de Saúde foi mais longe ao fazer uma parceria com um influenciador virtual, no âmbito das medidas de proteção contra o COVID-19. O influenciador escolhido foi Knox Frost, com mais de 1 milhão de seguidores da geração Z.

Fonte: Instagram – Post do Influenciador Knox Frost no âmbito da OMS

Não só de takeovers no Instagram, de posts patrocinados e de tradicionais campanhas de publicidade se destacam as parcerias com influenciadores virtuais. Também os eventos digitais abraçam esta nova realidade. 

A tecnologia da plataforma de Live Shopping “Bambuser” (que ajuda marcas a realizar sessões de compras através de um “vendedor” ao vivo no meio digital) foi usada para o lançamento no Galaxy S22 da Samsung. 

Tratou-se de um lançamento inédito, na medida em que foi o influenciador virtual Zero o representante, tendo conversado ao vivo com o criador do TikTok, Liam Kalevi, enquanto decorria o evento de  live shopping. Durante a transmissão, o influenciador virtual usou um Galaxy SS22 virtual e tirou uma selfie, tudo em tempo real.

Fonte: Evento Live Shopping (via Tecnologoa Bambuser) da marca Samsung com o influenciador virtual Zero

São eventos inovadores como estes que provam o potencial criativo e vasto das possibilidades de parcerias com as marcas. Estes personas virtuais parecem mesmo ser o futuro da Publicidade e do Marketing de Conteúdo – pudemos constatar que atuam em vários mercados como a moda, a tecnologia, a música, etc. – pelo que qualquer marca que se queira posicionar como inovadora e alcançar novos públicos precisa de estar atenta a esta tendência. 

Aliás, numa era em que se avança para o metaverso, os influenciadores virtuais podem mesmo tornar-se no catalisador para essa direção daweb 3.0”.

Talvez o maior desafio ainda seja a possibilidade de massificar a criação de influenciadores virtuais com custos mais reduzidos. Se bem que há quem defenda que a médio e longo prazo, os custos de criação seriam mais rentáveis do que os custos que são investidos pelas marcas em parcerias com influenciadores humanos.

Se está reticente a esta realidade dos influenciadores virtuais, é caso para refletir: dentro da realidade da internet, não acabamos todos por ser um pouco influenciadores virtuais?