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Marta Peral Ribeiro

Marta Peral Ribeiro
– Consultora de Comunicação –

Se há algum tempo nos contassem que daí a poucos anos seriam vendidas obras de arte digitais por milhões de dólares, dificilmente acreditaríamos. Mas é o que está a acontecer: o fenómeno metaverso e os NFTs.

A transição para o metaverso, este universo digital paralelo para onde nos estamos firmemente a encaminhar, está a plasmar a nossa realidade. Sobretudo, como é lógico, na esfera digital. Há mudanças tecnológicas fundamentais a acontecer ao nível da arte e da indústria no geral e, consequentemente, da economia.

Marta Peral Ribeiro

Marta Peral Ribeiro
– Consultora de Comunicação –

Se há algum tempo nos contassem que daí a poucos anos seriam vendidas obras de arte digitais por milhões de dólares, dificilmente acreditaríamos. Mas é o que está a acontecer: o fenómeno metaverso e os NFTs.

A transição para o metaverso, este universo digital paralelo para onde nos estamos firmemente a encaminhar, está a plasmar a nossa realidade. Sobretudo, como é lógico, na esfera digital. Há mudanças tecnológicas fundamentais a acontecer ao nível da arte e da indústria no geral e, consequentemente, da economia.

Muita tinta tem corrido quando falamos de NFTs, blockchain, metaverso e criptoativos. Desde a mudança do Facebook para Meta, a tentativa de o compreender o que é o metaverso e a sua relação com os NFTs, a repentina popularidade que lhes foi atribuída (com vendas diárias na ordem dos 1000 NFTs) e, claro, as quantias excêntricas ao nível de milhões que lhes vemos associadas. Por tudo isto, o nosso ceticismo em relação a este assunto é legítimo.

Fonte: Unsplash

Non-fungible tokens (NFTs): o que são?

Um token não fungível, na prática, é um bem virtual único. 

A fungibilidade está relacionada com a possibilidade de se substituir bens por outros da mesma categoria.  Por exemplo, o dinheiro físico é fungível, porque se trocarmos uma nota de 20€ por duas de 10€ obtemos o mesmo valor. Já uma obra de arte, é não fungível, porque é única, não há nada que a equivalha.

Assim, em termos tecnológicos, um NFT representa um (cripto)ativo exclusivo, pois não se perde e não se substitui. Pode estar agregado a qualquer coisa: uma obra de arte, uma música, um vídeo, uma imagem, um gif, um avatar, um tweet, etc. E podem ser comprados através de criptomoedas em plataformas como a Ethereum ou a OpenSea.

Parece que neste momento Singapura, Hong Kong, China e Filipinas são os países mais entusiastas no que diz respeito à aquisição de NFTs:

Fonte: Statista

Para que servem os NFTs?

Imagine que um fotógrafo emergente publica uma fotografia e lhe associa um NFT. Um utilizador reconhece-lhe o potencial e decide investir nesse NFT. Com a popularidade crescente do fotógrafo, o NFT, entretanto, valorizou. O seu proprietário (o utilizador) tem agora algo mais valioso do que na altura em que o comprou, e detém o certificado de autenticidade da fotografia, o que comprova que é a original. 

E o mesmo acontece com outros assets digitais, como uma música ou um vídeo ou, mais popularmente, itens da indústria de Arte e da Moda. Por exemplo, nesta última categoria tem sido comum adotar peças de roupa ou acessórios equivalentes às que uma marca já vende no mundo físico, mas agora na sua versão digital para vestir e adornar o avatar do utilizador. Ou seja, são criados NFTs em que o ativo são esses itens representativos da marca. De facto, se eu usar uma mala de determinada marca, por que não havia de escolher o mesmo para o meu avatar?

Este é um dos ângulos que interessam quando falamos de NFTs. Mas há mais.

Uma questão de Individualidade 

Quando adquirimos um NFT, tornamo-nos o proprietário legítimo desse artigo autêntico, original. O fator exclusividade torna-se mais relevante pelo facto de esse “registo de propriedade” ser público. Não só transmitimos ao mundo algo que é nosso como manifestamos aquilo de que gostamos, o que nos leva ao próximo ponto.

Grupo de pertença

Tal como um adepto gosta de exibir o cachecol do seu clube, o que o faz ser reconhecido por outros membros desse clube, um utilizador que detenha determinado NFT está a expressar aquilo de que gosta, o que o posiciona num grupo. Pode ser um grupo relacionado com arte, com uma marca, com um jogo, ou qualquer outro interesse. E quem não quer pertencer a uma tribo?

Mudança de paradigma no mercado 

Os NFTs apresentam um enorme potencial de mercado. Temos agora a capacidade de comprar bens digitais, e, de facto, os utilizadores – especialmente os colecionadores, e muitos investidores – estão a aplicar dinheiro real para adquirir estes bens digitais. Especialmente no ambiente metaverso, as possibilidades são infinitas, porque nele não cabem os constrangimentos típicos do mundo físico. Por exemplo, podemos facilmente comprar um imóvel ou um jardim.

Roblox / Gucci

Descentralização do poder

Toda a indústria que está a ser criada nesta nova era da internet traz uma competitividade que gera novos incentivos e melhores produtos. Até aqui os ativos têm estado centralizados numa entidade, geralmente com uma estrutura rígida, que tem o poder de impedir negociações por parte do utilizador. Agora, o proprietário é o próprio utilizador, que pode transferir ou vender os seus criptoativos.

Transparência – a tecnologia blockchain

A tecnologia utilizada para alojar NFTs é a blockchain. Esta estrutura de dados regista informações (transações, contratos, o que for) partilhadas em rede. Esses registos são imutáveis e públicos para todas as partes envolvidas. Na prática, é como se fosse um banco digital de dados que é visível a qualquer pessoa que dele faça parte, em qualquer parte do mundo. Assim, este sistema cria transparência e congruência.

Fonte: @theshubhamdhage

E para as marcas, existe interesse em mergulhar no metaverso e nos NFTs? 

Com certeza. Há já várias marcas a despertar para o novo mercado. E isso, como explanado aqui, diferencia-as. Quando algo é novo e uma marca se posiciona na dianteira, não só se destaca pelo carácter inovador como ganha efetivamente visibilidade e, consequentemente, vendas. Eis algumas das possibilidades:

Relacionamento com o consumidor

O mundo virtual tem ganho, especialmente nos últimos anos, uma relevância enorme para os consumidores. Esta nova ponte, que os liga à versão digital das marcas, vem consolidar a sua relação. As marcas podem agora ativar a sua base de clientes trazendo-os para o virtual – onde a maioria, aliás, já se encontra. 

Novos produtos 

Uma marca pode ativar um novo produto, um jogo, uma imagem ou um bilhete virtual para um evento exclusivo (virtual, usando avatares), agregando-lhes NFTs. Os jogos são, sem dúvida, uma boa aposta: a partir dele uma marca pode, por exemplo, atribuir a versão digital dos seus produtos, criar acessórios para os avatares ou até uma “cripto-mascote”. 

Descontinuar produtos 

Imaginando que uma marca pretende descontinuar um produto, pode atribuir-lhe um NFT. E esse item pode, inclusivamente, valorizar. Portanto, um utilizador pode adquiri-lo e até vendê-lo a um preço interessante por ser um artigo raro

Community management

Tocando novamente a perspetiva do grupo de pertença, as marcas podem apostar no community management, criando NFTs que interessem aos membros dessa comunidade e promova as suas interações

Em todo o caso, como para qualquer passo que uma empresa dê, será necessário primeiramente delinear uma estratégia. Nesse plano, a empresa terá de compreender o seu posicionamento e a perceção que o público tem da sua imagem e dos seus produtos, nomeadamente em que é que a marca se distingue no seu segmento de mercado. 

Marcas que criaram NFTs

Gucci x Superplastic

Recentemente, a Gucci estabeleceu parceria com a Superplastic, famosa pelas suas celebridades animadas e peças de vinyl. A primeira série de NFTs é composta pela personagem CryptoJanky (Janky é um influencer de moda) em diferentes ambientes inspirados na coleção Gucci Aria. E incorpora, também, uma peça de cerâmica feita à mão por artesãos italianos, limitada a 500 exemplares, o que atribui a este NFT ainda mais o fator de exclusividade. 

Havaianas

À luz da tendência, a marca brasileira Havaianas criou, em colaboração com o artista Adhemas Batista, a coleção de arte digital “Felicidade”, com 5 criptoativos em leilão. 

Entre estes NFTs  está um gif que foi arrecadado por um valor superior a 1000€.

Fonte: NSS Mag

Para onde estamos a ir?

Neste momento ouvimos falar de NFTs em cada esquina – assim como de criptomoedas e outros vocábulos virtuais – mesmo sem entender muito bem do que se trata e de como estão ligados à arte digital e, num ambiente mais amplo, ao metaverso. 

Tudo o que está a acontecer com a transição para a nova internet está, como na vida, em constante mudança. A diferença é que a nível tecnológico tudo acontece mais rápido.

À primeira vista pode parecer mais um hype, e certamente o frenesim dos NFTs há de atingir algum equilíbrio, onde os preços das peças de arte e das personagens digitais não sejam absurdos como muitos dos que temos visto pela internet fora. E isso vai acontecer quando o mercado amadurecer, quando compreendermos melhor os fundamentos dos criptoativos e conseguirmos distinguir os que realmente têm valor dos que não têm.

E se para o utilizador os NFTs contribuem para moldar a sua identidade virtual, num jogo ou numa plataforma digital, além de lhe veicularem o acesso a eventos exclusivos, para as marcas representam novas formas de relacionamento com os consumidores e diversas oportunidades de vendas. 

Em suma, os NFTs não só agregam valor ao ecossistema digital como vão, definitivamente, transformar os aspetos fundamentais da economia e do marketing digital. Cá estaremos para ver.